A dengue volta a crescer todo ano quando o calor e a chuva se encontram, a partir do fim da primavera. O pico costuma chegar nos primeiros meses do ano. O período mais útil para agir é justamente o que vem antes: quando ainda há poucos casos, os criadouros são menores e cada medida dentro de casa rende mais.
Este guia reúne o que a família precisa saber: como a doença é transmitida, quais sintomas são esperados, os sete sinais de alarme que exigem atendimento imediato, o que não tomar por conta própria e como organizar a proteção de quem mora com você.
Como a dengue é transmitida
A dengue é causada por um vírus transmitido pela picada da fêmea do Aedes aegypti, o mesmo mosquito da zika e da chikungunya. Ele pica principalmente durante o dia, com mais atividade no começo da manhã e no fim da tarde. Vive perto das pessoas, dentro e ao redor das casas. A reprodução acontece em água parada limpa.
Dois detalhes explicam por que a doença é tão difícil de controlar. Os ovos do mosquito podem resistir por meses grudados na parede seca de um recipiente, esperando a próxima chuva para eclodir. E existem quatro tipos de vírus da dengue: ter tido a doença protege contra o tipo que causou a infecção, não contra os outros três. Uma segunda infecção por um tipo diferente aumenta o risco de dengue grave.
Sintomas da dengue
O quadro costuma começar de forma súbita, entre quatro e dez dias depois da picada. A febre alta, em geral acima de 38,5 graus, vem acompanhada de dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor no corpo e nas articulações, cansaço intenso e, em muitos casos, manchas vermelhas pelo corpo com coceira.
O ponto que mais engana é o que acontece depois. Entre o terceiro e o sétimo dia, a febre costuma baixar, a pessoa sente alívio e acha que o pior passou. É exatamente nessa fase que as complicações podem aparecer. Por isso os sinais de alarme merecem atenção redobrada justamente quando a febre vai embora.
| Sinais de alarme da dengue | Como perceber |
|---|---|
| 1. Dor abdominal intensa | Dor forte e contínua na barriga, que não passa |
| 2. Vômitos persistentes | Não consegue manter líquido no estômago |
| 3. Sangramentos | Gengiva, nariz, urina ou manchas roxas sem pancada |
| 4. Tontura ao levantar | Sensação de desmaio, queda de pressão |
| 5. Sonolência ou irritabilidade | Em criança, choro diferente do habitual ou prostração |
| 6. Pouca urina | Volume bem menor do que o normal ao longo do dia |
| 7. Piora quando a febre baixa | Mal-estar que aumenta entre o terceiro e o sétimo dia |
Qualquer um desses sinais significa atendimento de urgência, sem esperar a consulta marcada. A dengue grave tem tratamento, desde que identificada a tempo.
O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde diante da suspeita de dengue, manter a hidratação desde o primeiro dia e não usar medicamentos por conta própria. A página oficial traz a lista atualizada de sintomas e a situação da doença no país.
O que não fazer na suspeita de dengue
O erro mais perigoso é a automedicação. O ácido acetilsalicílico (AAS) e os anti-inflamatórios como ibuprofeno e diclofenaco aumentam o risco de sangramento na dengue e não devem ser usados. Qualquer remédio para febre e dor precisa ser orientado pelo médico, que vai indicar o adequado para o caso.
Também não vale esperar a febre passar para procurar atendimento. O diagnóstico no começo permite acompanhar a evolução e reconhecer a fase crítica. Enquanto isso, a hidratação com água, soro e líquidos em quantidade generosa faz parte do tratamento desde o primeiro dia.
Quem precisa de mais atenção
Gestantes, bebês, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e doenças renais têm risco maior de evolução grave. Nesses grupos, a orientação é procurar atendimento logo nos primeiros sintomas, sem esperar a piora.
Para a gestante, o cuidado começa antes: a proteção contra o mosquito precisa ser contínua durante toda a gravidez, com um produto adequado para o período. Os critérios de escolha estão no guia sobre repelente sem DEET para bebê e gestante.
E a vacina contra a dengue?
Existem vacinas contra a dengue aprovadas pela Anvisa. A faixa de idade indicada e a oferta pelo SUS seguem o calendário do Ministério da Saúde, que é atualizado com frequência, então a informação certa sobre quem pode se vacinar na sua cidade está no posto de saúde. As vacinas disponíveis são de vírus atenuado, o que as torna contraindicadas na gestação e na amamentação. Pessoas com imunidade comprometida também precisam de avaliação médica antes.
Uma observação importante: a vacina reduz o risco da doença, mas não substitui a prevenção. Quem se vacinou continua precisando evitar a picada, porque o mesmo mosquito transmite zika e chikungunya.
Como proteger a família da dengue
Dez minutos por semana contra os criadouros. Pratos de vaso, ralos, calhas, tampas de caixa d'água, pneus, garrafas e brinquedos esquecidos no quintal. Esvaziar, escovar a borda dos recipientes para remover os ovos grudados e virar de boca para baixo o que não pode ser descartado. É a medida que mais reduz a dengue no bairro inteiro.
Barreira física. Telas nas janelas, mosquiteiro no berço e roupa de manga comprida nos horários de maior atividade do mosquito. Para bebê, é a primeira linha de defesa.
Repelente na pele exposta, reaplicado no intervalo certo. A proteção do repelente acaba com suor, água e atrito. A maior parte das picadas acontece quando a pessoa acha que ainda está protegida. O guia sobre quando reaplicar o repelente mostra o intervalo por situação. Outras medidas do dia a dia estão no guia sobre picada de mosquito.
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Conclusão
A dengue se enfrenta em duas frentes. Antes da doença, com criadouro eliminado toda semana, barreira física e repelente reaplicado no intervalo certo. Diante da suspeita, com atendimento cedo, hidratação e nenhum remédio por conta própria, prestando atenção aos sete sinais de alarme principalmente quando a febre baixa.
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Perguntas frequentes: dengue
É possível ter dengue mais de uma vez?
Sim. Como existem quatro tipos de vírus, uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes. A segunda infecção, por um tipo diferente da primeira, tem risco maior de evoluir para a forma grave. Por isso quem já teve a doença precisa manter a prevenção.
Quanto tempo dura a dengue?
A fase de febre dura em geral de dois a sete dias. O cansaço pode continuar por algumas semanas depois. A recuperação completa depende do acompanhamento médico, principalmente na fase crítica que começa quando a febre baixa.
Repelente protege contra a dengue?
O repelente reduz o risco de picada do Aedes aegypti, que é o mosquito transmissor. A proteção depende de usar um produto registrado, cobrir toda a pele exposta e reaplicar no intervalo do rótulo. Funciona melhor somado à eliminação de criadouros e à barreira física.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Na suspeita de dengue, procure uma unidade de saúde e não use medicamentos sem orientação. Diante de qualquer sinal de alarme, busque atendimento de urgência.